quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Reduzir em 10 anos metade dos acidentes de moto

Apesar de não termos comparecido à reunião, por motivos profissionais, temos acompanhado, ainda que a distância, mas com interesse, a movimentação em torno do Comitê de Prevenção de Acidentes, e louvamos a iniciativa de se procurar reduzir os acidentes com motos.

Porém, vemos o assunto com cautela. Há que se traçar planos de ação que mais do que colocar a moto na berlinda, busque soluções factíveis ao problema; e é neste ponto mesmo que as ações do Comitê parecem se direcionar.

A questão da educação é de extrema importância, mas é sabido que o povo brasileiro é avesso a ela. Nossa educação só evolui, no nosso entender, se acompanhado de recompensas e punições: Assim é que o brasileiro entende a educação, desde o jardim de infância. Se estuda, não para aprender; mas para “passar” ou, para não ser reprovado... dá no mesmo... mesmo que o que se aprendeu, não se recorde no dia seguinte à prova. E assim se deve trabalhar a educação no trânsito. Além de ensinamento, tem que endurecer com a punição. Mesmo porque só tem medo de punição quem anda errado. E não é esse o espírito do motociclismo.

De que adianta, multar com infração gravíssima se a moto está trafegando com farol apagado, por um esquecimento momentâneo do condutor, e nada fazer quando flagrada a moto com pastilhas de freio gastas (aliás, acho que nunca vi fiscalizarem isso numa blitz); nesta situação, o que é mais perigoso?

Ou ainda: o capacete pode estar abrindo as bandas, e com uma viseira por onde nada se enxerga de tanto arranhão, mas se tem selo do Inmetro, está ok, pode seguir.

Outro dia, conversando com uma mulher, numa cidade do sertão pernambucano, ela condutora de uma cub de 125cc, achei interessante a sua afirmação: “placa de trânsito é prá carro.... nem olho...”. Ela também não tinha habilitação: “aqui não tem blitz”, justificava.

São entendimentos ridículos sobre o que é seguro ou não. Fontes de perigo, cuja solução necessariamente se inicia na fiscalização (em todos os níveis).

Mas aí vem o outro lado da moeda: Não há que se fiscalizar somente a moto. Quantos acidentes ocorrem por culpa de outros condutores ou veículos. Já vivenciei peça se soltando de carro na estrada, e por pouco não causando acidente comigo na moto. Cadê a fiscalização, nesse caso, com os carros que trafegam por nossas ruas e estradas?

Quem já não soube de acidentes com amigos/irmãos motociclistas, que apesar de estarem certos no seu proceder, perderam a vida por imprudência ou falha mecânica de outros motoristas.

Então o problema não é só com a moto em si, mas com todos os veículos. Um acidente que entre dois carros não seria grande coisa, com uma moto pode ser fatal.

Quanto à participação dos motociclistas/motoclubes no fórum do Comitê de Prevenção de Acidentes, é extremamente importante, todavia entendo que é um papel a ser muito melhor assumido pelas AMO, como organismos de representatividade oficial do nosso meio motociclístico.

Não adianta o motociclista participar apenas de corpo presente, ou de modo passivo.Tem que haver participação no debate, tanto no fórum em si, quanto junto aos motociclistas em reuniões e eventos, criando um elo de diálogo entre estas partes. E este papel cabe, e deve, ser assumido pela Associação.

Esperando contribuir com o debate sadio, esse é o nosso ponto de vista.

Dário Leite

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Reduzir em 10 anos metade dos acidentes de moto

Essa é a meta do Comitê Estadual de Prevenção de Acidentes.  Lei mais em:

http://www.revistamotoclubes.com.br/2011_09/Materia_2011_09_14_ForumTransito.htm

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