quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sempre temos visto, ouvido e lido a respeito de quanto o motociclista é discriminado no dia-a-dia do trânsito e até mesmo pela sociedade em geral.

Leis estúpidas, condenações a um canto apertado de estacionamento (quando existe), “fechadas” de carros e outros veículos maiores, dentre outros atos discriminatórios, fazem parte do cotidiano do motociclista.

Não posso tirar completamente a razão dessa sociedade discriminadora, tão acostumada a ver irresponsáveis e despreparados na condução de motocicletas, guiando feito loucos pelos corredores entre os carros, brechas entre ônibus, com motocicletas muitas vezes irregulares, em velocidade notoriamente acima do bom senso, disparando nos sinais, desrespeitando todas as regras da convivência harmônica no trânsito e, claro, ao arrepio da lei.





Mas sou um entusiasta de que essa mesma sociedade irá entender o papel da motocicleta no transporte urbano diário ou no lazer, como veículo seguro (se conduzido regradamente), econômico e politicamente correto.

Mas volto ao ponto da legislação-legisladores e seus fiscais: Louvável a iniciativa de se regulamentar (e, mais importante ainda, fiscalizar) os ciclomotores e motonetas. Temos visto blitzes priorizando a fiscalização de motocicletas, o que, particularmente, acho interessante. Porém, também seria de se esperar um maior rigor com os outros veículos, de quatro ou mais rodas, que circulam por nossas vias. Qualquer um que dê uma volta ali pelos entornos do CEASA, certamente verá kombis e outros veículos de pequenas cargas circulando sem nenhuma condição estrutural (será que tem documental?); no centro, o transito fica travado por carroças puxadas por burros ou pessoas, nas mesmas faixas de rolamento de motos, carros e ônibus; caminhões descarregam a qualquer hora e em qualquer lugar, parando onde bem entendem (em outras capitais, as prefeituras regulamentaram a descarga de caminhões apenas em determinados horários. Perfeito). Fora os problemas estruturais como buracos e bocas-de-lobo abertas que, não raro, vitimam algum amigo nosso.



E, hoje, mais uma vez encontrei no jornal uma notícia triste, fruto da falta de fiscalização e de regulamentação dessa arma em forma de brinquedo:

JC, 13/01/2011
Cerol mata motoqueiro.
O cerol, a mistura de cola com pó de vidro aplicada nas linhas das pipas, provocou uma morte em Belo Horizonte. Na noite de anteontem, um motoqueiro morreu depois de ter o pescoço cortado por uma linha de cerol no Anel Rodoviário. Paulo César Martins, 43 anos, foi atingido quando trafegava na altura do bairro de São Paulo. Parte da linha ficou presa guidão da moto. Foi o segundo caso em uma semana.

Foi em Belo Horizonte, mas poderia ter sido em Recife, Manaus, Porto Alegre, Porto de Galinhas ou Manari. A realidade é a mesma em todo o país.

Concordo em gênero, número e grau com o texto “O OUTRO LADO DA MOEDA”  de autoria do Valdeci von mulhen TABORDA, publicado no “Curtas e Grossas” do dia 12/01/2011. Parabéns pela felicidade no texto.

Mas, mais uma vez torno a repetir (a redundância é proposital!): temos que nos organizar, motociclistas, pelo respeito da sociedade e dos legisladores à motocicleta. Temos que nos policiar mutuamente, para que possamos ganhar a confiança e o respeito da sociedade. Que venham mais campanhas “Zoeira to Fora”, “Cerol Não”, “Use a Cabeça”, “Basta de Peças Roubadas” e tantas outras. Mas é necessário a conscientização de todos os condutores de motocicletas também em relação a tudo isso. Senão continuaremos sendo denegridos e discriminados. Continuaremos pagando seguros maiores que os de carros. E o pior de tudo, continuaremos vendo vidas serem perdidas, jogadas fora por irresponsabilidade do Poder Público, mas também dos maus motociclistas.

As AMO, as revistas especializadas, outras associações e canais de comunicação, que são os formadores de opinião: vamos buscar divulgar a causa motociclística. Cobremos dos nossos gestores públicos, soluções e fiscalização. Vamos incutir no senso comum dos nossos motociclistas a responsabilidade que cada um tem no papel de condutor de um veículo que pode matar ou fazer morrer.

Pensem nisso.