quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O Trânsito e as “Cinqüentinhas”



Amigos,

A respeito da matéria O Trânsito e as “Cinqüentinhas”, publicada na Revista Motoclubes (www.revistamotoclubes.com.br), concordamos em gênero, número e grau com o problema que o Éder Barbosa expôs e ressaltamos ainda (já escrevemos algo sobre isso na Revista Motoclubes)  que entendemos que o problema vai bem mais além:

Um dia, conversando com uma mulher, numa cidade do sertão pernambucano, ela condutora de uma cub de 125cc (não exatamente uma cinquentinha, mas cujo exemplo se encaixa perfeitamente nesse caso), achei interessante a sua afirmação: “placa de trânsito é prá carro.... nem olho...”. Ela também não tinha habilitação: “aqui não tem blitz!”, justificava.



É o mesmo entendimento geral do conceito “cinquentinha”: com elas todo pode!

É uma observação (a de que “tudo pode”) decorrente apenas da inépcia do Poder Público, uma vez que a legislação existe, mas nunca foi regulamentada. Segundo o Código de Transito Brasileiro:

     Art. 24. Compete aos órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição:
(...)
  XVII - registrar e licenciar, na forma da legislação, ciclomotores, (...) fiscalizando, autuando, aplicando penalidades e arrecadando multas decorrentes de infrações;

E ainda:

        Art. 54. Os condutores de motocicletas, motonetas e ciclomotores só poderão circular nas vias:
        I - utilizando capacete de segurança, com viseira ou óculos protetores;

E mais:

Art. 129. O registro e o licenciamento (...), dos ciclomotores (...)  obedecerão à regulamentação estabelecida em legislação municipal do domicílio ou residência de seus proprietários.

E, por fim:

        Art. 141. O processo de habilitação, as normas relativas à aprendizagem para conduzir veículos automotores e elétricos e à autorização para conduzir ciclomotores serão regulamentados pelo CONTRAN.

E, culminando em:

 Art. 244. Conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor:
        I - sem usar capacete de segurança com viseira ou óculos de proteção e vestuário de acordo com as normas e especificações aprovadas pelo CONTRAN;
        II - transportando passageiro sem o capacete de segurança (...);
        III - fazendo malabarismo ou equilibrando-se apenas em uma roda;
        IV - com os faróis apagados;
        V - transportando criança menor de sete anos ou que não tenha, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança:
        Infração - gravíssima;
        Penalidade - multa e suspensão do direito de dirigir;
        Medida administrativa - Recolhimento do documento de habilitação;

Ou seja, aos ciclomotores deveriam ter imputados todos os direitos, deveres e sanções previstos no CTB também para a motocicleta, inclusive registro do veículo e habilitação/autorização do condutor (ACC), com apenas uma condição básica: a sua regulamentação é MUNICIPAL.

E agora é que vem a discussão de interesse: na Capital e Região Metropolitana, onde geralmente existem órgãos municipais de trânsito, parece que nossos vereadores não se importam com essa regulamentação; no interior, onde geralmente nem órgão municipal para fiscalizar, existe, tirem suas próprias conclusões...

Por outro lado, a simples existência desse “caos das cinquentinhas” gera uma percepção errada pela sociedade comum: a de que a “moto” é irresponsável.
Sim! Note que o entendimento comum da sociedade é de que aquilo ali que está se deslocando sobre duas rodas (“a cinquentinha” ), sem condição de tráfego, sem segurança alguma e, principalmente, completamente fora-da-lei, é uma “moto” e aí junta no mesmo saco, tanto a cinquentinha, quanto a reluzente importada de quase R$ 100.000,00.

Na hora de um acidente, ao registrar a vítima no hospital de urgência, a causa do acidente no boletim médico/polical fatalmente será: ACIDENTE COM MOTO. Essa simples e inocente observação numa ficha oficial, servirá de base para futuras pesquisas que apontaram os acidentes com moto são uma das maiores causas de internações/mortes no Brasil. E dái? Daí que o seguro obrigatório da moto de quem está real e legalmente correto, cumpre com suas obrigações e segue a Legislação, custará mais que o dobro de que a de um carro, já que “a sua moto” (lembre que você é regularizado, anda correto, é habilitado e paga seu licenciamento em dia) é a maior causa de acidentes no Brasil...

Porém não adianta permanecermos, enquanto motociclistas, apenas de corpo presente, ou de modo passivo, lendo essa e outras notas a respeito do problema que envolve a todos nós diretamente, e balançando a cabeça. O problema das “cinquentinhas”  tem caráter Municipal e estamos justamente no momento certo de rever isso, uma vez que novos vereadores estão assumindo suas cadeiras nos legislativos municipais. Temos que provocar esse debate em cada Câmara Municipal, fazendo com que os Moto Clubes em cada cidade do interior levantem essa bandeira. As associações estaduais (AMO) também muito podem contribuir nesse diálogo. E este papel cabe, e deve, ser assumido por essas entidades que, a priori, representam a classe motociclista.

Por fim, peço desculpas por estar “quebrando” a harmonia da época de festas e confraternizações; mas espero estar contribuir com o debate sadio.

Esse é o nosso ponto de vista.


Dário Leite

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Carne de Sol

Recebemos uma mensagem do João Cruz, escritor do "Motociclista Invencíveis":

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JOAO VICENTE CRUZ JR., 23 ago 

Olá, Dário Leite
Revendo o Allycats que me enviou em 19/06/2011, com muitas fotos bacanas e coloridas tiradas em Caruaru e outras cidades do sertão de pernambuco, resolvi enviar uma foto que tem ao fundo "carne de sol" para serem vendidas e que estão penduradas ao ar livre na estrada de terra. Isto foi em Pernambuco, só não lembro o local exato. Faz parte do meu livro. Pela época a foto tinha de ser em preto e branco e eu sou o mais alto, com bigode. Acredito que na sua geração isso não mais existia pelas estradas.
Grande abraço
João Cruz


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Grande João, não sou nem mais tão novinho assim, mas ainda que o fosse, a carne de sol na beira das estradas do sertão continua lá, onde me lembro desde os meus tempos de garotinho; principalmente ali por Cachoeirinha, São Caitano (agreste) ou mais prá riba pros lado de Serra Talhada, Ibimirim, Floresta e adjacências (sertão).

É interessante notar que hoje tem muito mais tecnologia embutida no negócio, e o "varal" já possui um tipo de armário com paredes em tela de nylon, para evitar moscas e outros visitantes indesejáveis (creio até que se assim não fosse, haveria problemas do pessoal da vigilância sanitária).

Mas o certo é que a tradição se mantém.

Grande abraço,

allycats.pe@gmail.com

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Os Leite no Sertão dos Catimbau.


Mais uma vez no sertão.




Só que, dessa vez, com uma idéia nova: Dar uma volta pelo Vale do Catimbau, nas cercanias de Buíque, no sertão pernambucano.





É uma vontade de criança, desde quando viajávamos de carro por aquelas bandas e víamos aquelas serras ao longe na BR 232, e imaginado suas formas se transformando em gigantes deitados, carros, tronos, castelos, e outras figuras mais que se nos descortinavam com aqueles perfis no horizonte.






Pois bem, fomos de Recife a Itapetim, buscar nosso mais novo motociclista (e mais antigo também) e de lá, partimos, via monteiro até Buíque e Vila de Catimbau. Surpresa por conta de uns 20km da estrada de areia (literalmente “areia”) que deu muito trabalho principalmente à Daniel (a Harley não se dá muito bem com trilha) e a Deoclécio (aqui mais pela falta de costume com a moto recém comprada, ainda que do alto de seus 75 anos de idade e outros tantos de motociclismo) que resultaram na compra de dois lotes de terra lá por aquelas bandas. Menos mau que sem maiores conseqüências, pela baixa velocidade que estávamos.







Chegando à Vila de Catimbau, procuramos por alguns guias locais, que nos explicaram que dentro da reserva natural, havia várias trilhas pré definidas, que um guia teria que ir junto com a gente, que não podia acampar dentro da reserva, etc... frustrou! Não era isso que queríamos e pelo que tínhamos viajado algumas centenas de quilômetros.






Bem... mas como diria uma ministra qualquer por aí, relaxa e goza. Fomos conhecer o hotel-camping do índio Jurandir e, chegando lá, surpresa (boa): era uma área fechada com piscina e cavernas onde podíamos deixar as motos com segurança e nos lançar na subida de um platô natural e acampar em cima da serra. Nos deu um alento de aventura.



Tomamos um rápido banho na piscina natural para tirar a poeira (areia) da viagem e, sob o sol de final de tarde, subimos a encosta do platô. Cansa!






Mas todo o cansaço é recompensado pelo visual privilegiado do vale visto lá de cima. Providencias inciais, decidir onde ficariam as barracas, providenciar lenha pra um fogueirinha (aqui ainda pode, pois não é dentro da área de reserva oficial), abrir a Pitu Gold e se preparar para assistir a um fantástico por-do-sol com trilha sonora de um Pink Floyd no celular.









Não são necessárias palavras.




Noite com muito vento, mas de bom sono. Imaginávamos que seria mais fria, mas foi agradável. Na manhã seguinte uma voltinha exploratória pelas redondezas do acampamento, depois de um rápido café, preparar a descida da serra.




De lá, novamente a estradinha de areia (dessa vez ninguém caiu) e uma agradável retorno pra casa.



Saldo do passeio: 1000 Km rejuvenecidos e uma vontade de criança satisfeita (com direito a adesivozinho comemorativo e tudo o mais).



Allycats.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

MANTENHA DISTÂNCIA!


Primeiro, obrigam motociclistas a usarem adesivos refletivos no capacete, posteriormente alguns nobres legisladores querem inventar coletes e outras regras e acessórios mirabolantes, e, finalmente placas de licença em tamanho de outdoor...


Mas uma coisa hilariamente me chamou atenção outro dia, circulando ali pelas imediações da Av Abdias de Carvalho, no Recife: esse adesivo na traseira de um carro. Será que vai virar Lei?




Já pensou, todos os motoristas zé ruelas, domingueiros, barbeiros, freio puxado ou possuidores de outros adjetivos mais, serem obrigados a usar algum adesivo/aviso assim? Seria, no mínimo, interessante... prá não dizer divertido. Mas, certamente, bem mais seguro prá quem conduz uma motocicleta, como quem avisa: FIQUEM LONGE DE MIM, EU SOU UM PERIGO!!!


Abraço a todos,

terça-feira, 27 de março de 2012

domingo, 25 de março de 2012

Novamente no Sertão

19/03/2012

Levando a motoca nova do véio:

 
Motorzinho valente: 110km/h na BR 232.

 
Em Caruaru, Ricardo junta pra rodar um pouquinho com a galera.


Em Fazenda Nova, pausa para esperar Daniel.


Percalços de viagem I.


Percalços de Viagem II



Já no Sítio Riacho Salgado, entrega solene da motoca ao novo dono (ó a cara de felicidade do véio).

  O rolé oficial de inuaguração.

 
 Sertaozão seco...

Vendo se está tudo ok.

tá...

 
êh sertão...


Estrada de volta...



 E até a próxima...   

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sertão do Pajeú

Final de semana é sempre bom para rodar um pouco e botar o stress prá correr.
Melhor ainda quando é pra visitar o Patriarca lá na terrinha.
Assim, no sábado, 21/01/2012, saimos, Dário e Daniel, par mais uma volta no Sítio Riacho Salgado,em Itapetim, lá pras bandas do Sertão do Pajeú.

Já na chegada, os bichinhos da casa, com saudade e balançando o rabo, vieram nos cumprimentar.




A seca tá braba pras bandas de lá. Apesar do dia nublado faz tempo que não chove "prá fazer água". Seca tudo: terra, açude, árvores...




Os bodinhos estão tendo que andar um bocado pra achar o que comer.


A unica coisa verde é o umbuzeiro (Spondias tuberosa, possui batatas que acumulam água nas raízes).


Mas nada que impeça de dar uma volta pela vizinhança.

   Ruínas da escolinha onde meu pai aprendeu a ler aí pelos idos de 1940...

O ponto preto lá em cima,é Daniel... 

Crossroads sertanejas...

E teve gente que se animou e tomou coragem de dar uma voltinha de Tenere...


Foi bom enquanto durou, mas na segunda-feira, é hora de colocar o pé na estrada e voltar para a tumultuada vida na cidade grande... Que m*!





Saldo do final de semana: cerca de 1.000km remoçados.